sábado, 18 de setembro de 2010

OS NOVOS RUMOS DA EMBRAER

A Embraer planeja investir no mercado de segurança pública e poderá adaptar tecnologias do setor aeronáutico para comunicação e monitoramento de cidades, de olho nos grandes eventos esportivos que o país sediará nos próximos anos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Na quinta-feira, a empresa de São José dos Campos enviou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a proposta de alteração do estatuto, até então o mesmo desde a fundação há 41 anos, para ampliar as atividades na área de defesa e incluir a atuação da fabricante nos segmentos de segurança e energia.
Foi alterado ainda o nome de Empresa Brasileira de Aeronáutica para somente Embraer, como é mundialmente conhecida.
A mudança visa adaptar o estatuto para que a empresa possa expandir os negócios. Projetos já avaliados pela fabricante são a geração de energia renovável (desenvolvimento de combustível aviônico limpo, processo já está em andamento, ou outras formas de energia) e o fornecimento de sistemas de monitoramento para forças policiais públicas.
De acordo com a Embraer, a empresa conseguiu alcançar níveis de autonomia tecnológica que permitem o desenvolvimento de outros produtos a partir de conhecimento desenvolvido para as aeronaves.
Exemplo é o emprego da tecnologia do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), que repassa dados rastreados via áerea para bases terrestres, nas atividades da polícia. Segundo a Embraer, isto já poderia ser aplicado nos próximos anos pois é um mercado em expansão.
Segundo Marcos Barbieri Ferreira, do Núcleo de Economia Industrial e Tecnologia da Unicamp, a diversificação proposta pela Embraer segue a tendência das grandes empresas do setor, como Boeing e Bombardier.
“O custo elevado para o desenvolvimento de novas tecnologias, como um novo avião, faz as empresas investirem em áreas onde têm domínio de sistemas. Assim, elas ganham em escala produtiva (aumentam o escopo de atividades) e se tornam grandes conglomerados aeroespaciais”, disse.
De acordo com Fernando Arbache, analista de inteligência de mercado, a expansão de atividades da Embraer é resultado de um estudo que levou em conta o impacto das crises econômicas que atingiram a empresa em 2001 e 2009.
“Foi o que deve ter impulsionado a expansão dos negócios. A empresa pode aplicar seu conhecimento em áreas como desenvolvimento de helicópteros, energia eólica ou ainda sistemas de interligação por satélites”, disse.
O estatuto ainda terá que ser aprovado pelo governo federal, que tem ações (golden share) com poder de veto, e pelos acionistas por meio de assembleia. Todo o processo deve ser concluído em cerca de 40 dias.
                                           postado por Daniel Pereira

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